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O conteúdo dessa página faz parte da Dissertação de Mestrado em Artes da Cena escrita por Airen Wormhoudt no ano de 2021.

aquecimento

Bicho da Seda, uma mariposa branca que não voa e que, num
movimento constante da cabeça, produz um casulo em volta de si, a
partir de um fio contínuo de cerca de 1,2 metro

Quantos casulos você construiu ao seu redor durante a sua caminhada? Olho para o ambiente ao meu redor e, aos poucos, começo a trabalhar: afasto os móveis, retiro os quadros e post-its da minha parede. Limpo cuidadosamente o chão. Monto minha estrutura com o tripé, câmera e Chroma Key.

Hoje é uma quinta-feira, 12 de agosto de 2021. Somamos 566.896 vidas ausentes. E eu inicio, oficialmente, a retomada dos meus processos de criação. São tantas vozes que ecoam na minha cabeça enquanto preparo o ambiente. Uma barulheira orquestrada pela falta dos treinos, pela ausência da prática do silêncio ativo, da luta com a procrastinação durante o período de isolamento, da pandemia de Covid-19. São ruídos que chegam por todos os lados. Penso: preciso sair do meu casulo. E, então, saio. Me liberto dessa armadura.

Durante meu mergulho na arte da Mímica Total com Luis Louis¹ em 2017, dentre as inúmeras formas de aquecer meu corpo antes de nos entregarmos à prática técnica e, posteriormente, às improvisações e criações, o FIO DE SEDA era um dos mais praticados. Decido começar minha jornada com ele. Casa limpa. Espaço aberto. Silêncio lá fora. Turbilhão de pensamentos aqui dentro. Mantenho meu foco na respiração ativa, traço um plano para o dia de hoje e inicio. 

Louis sempre dizia que a prática do Mímico Total deveria prever um momento de aquecimento, outro de prática das técnicas deixadas pelos Mestres e, então, a criação e improvisação. Para a minha rotina, alterno sempre a sequêcia do Fio de Seda e a sequência das 12 posições do Surya da Yoga - a qual também praticávamos em nossas rotinas.
¹ Luis Louis é ator, diretor e dramaturgo com Notório Saber e Mestrado pela PUC-SP. Especializou-se em Mímica e Teatro Físico na Desmond Jones School of Mime and Physical Theatre, na Inglaterra, onde viveu por cinco anos. Neste período desenvolveu uma intensa pesquisa nesta área, que incluíram diversos cursos, trabalhos e espetáculos. Foi, também, professor de mímica no Royal National Theatre e na The School of the Science of Acting em Londres. É especialista em Artes Marciais, Tai Chi Chuan e faixa preta em Kung Fu pelo Templo Shaolin de Kung Fu (TSKF). É autor do livro "A Mímica Total" - um inédito e profundo mapeamento dessa arte no Brasil e no Mundo.

Fio de Seda

Momento de ativar as grandes articulações, começando de cima para baixo, como um bicho da seda. Movimentos circulares com a cabeça, busto, tronco e quadril - trabalhados para ambas as lateralidades (direita e esquerda), sendo uma parte do corpo por vez. Se for girar o busto, segure o tronco!Uma vez trabalhadas as grandes articulações, começa o processo com os braços, parte por parte, ativando os dedos (num abre e fecha de mãos vigoroso), executando movimentos circulares com os pulsos, seguido de antebraços, e, por fim, braços inteiros. A mesma sequência, com os membros inferiores: dobra-se uma das pernas, coxa paralela ao chão, ativa-se os dedos! Rotação com o tornozelo, seguido do joelho e então, libera-se a perna inteira com movimentos circulares. Reproduz-se a mesma sequência com a outra perna. Corpo ativo. Aquecido. Revigorado. Vivo. 

Surya Namaskar

Silêncio e respiração são os pontos principais para o começo das práticas quando inicio pela Yoga. Costumo praticar as sequências A e B de Surya Namaskar - as Saudações ao Sol, que hoje está encoberto e se mostra desanimado para dar as caras. Nos dias cinzentos meu corpo se encolhe mais ainda sobre si e a Yoga é bem vinda.

- 5 sequências de SURYA A + 5 sequências de SURYA B
- 3 séries de 10 respirações UJJAYI

Após as sequências dos Suryas, dou início à Respiração Ujjayi ("ujjayi" = aquele que é vitorioso): uma respiração longa e suave, que pode ser praticada na posição de lótus (com as costas retas) ou durante os asanas (as posturas de Yoga). Opto por fazê-la em pé, costas eretas, quadril encaixado. A inspiração e expiração acontecem pelo nariz, com a boca fechada. E, conforme expiramos, fechamos parcialmente a glote, contraindo nossa garganta. Como consequência, emitimos um som muito característico que alguns podem comparar com as ondas do mar.

Sequência A - Surya Namaskar. Fonte: Imagens Google

Sequência B - Surya Namaskar. Fonte: Imagens Google

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ESSE ESPAÇO...

... aglomerado de ideias e preenchido pelo caos critativo. Registro de um Mestrado, da criação, do entendimento, da prática. Orienta os desavisados. Educa os familiares distantes. Alivia o peito dos inconformados. Celebra os grandes Mestres - os presentes e os ausentes. Os que se foram e os que ficaram. Os que são. Que inspiram. Que respiram arte.

PREENCHENDO O VAZIO

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