O conteúdo dessa página faz parte da Dissertação de Mestrado em Artes da Cena escrita por Airen Wormhoudt no ano de 2021.
a sua obra
A Cadeira do Ausente
A primeira vez que tive contato com a peça curta "A Cadeira do Ausente" de Etienne Decroux, criada em 1984 com e para sua assistente Corinne Soum, foi em 2017 durante minha especialização na Mímica Total. Foi paixão à primeira vista!
Estudávamos a Mímica Moderna e cada ator deveria escolher uma das peças Decrouxianas para explorar. Eu e Bell Rosa (minha parceira de cena) ficamos extasiadas com a partitura corporal da "Cadeira" e nos dedicamos a ela. Consequentemente, concluída nossa especialização, demos sequência ao seu estudo e, em 2019, gravamos sua releitura no projeto MimeWeb.
Fonte: "A Cadeira do Ausente" - releitura do quadro de Etienne Decroux, concebido pelas atrizes Airen Wormhoudt e Bell Rosa, disponível no Canal Ellas EnCena no YouTube.
Durante todo o percurso do Mestrado, essa partitura me acompanhou - não somente para exemplificar o processo de criação tendo a Mímica Total como instrumento principal. Mas, especialmente, porque ela fez e continua fazendo sentido!
Meu Mestre Luis Louis, em um determinado momento de nossa formação, nos reuniu em uma grande roda e falou sobre nossa potência criativa e a necessidade do artista em se "Manifestar": cabe ao ator/atrizcriador a mergulhar dentro de si e encontrar seu desejo expressivo para, então, criar seu Manifesto!
Prestei atenção em cada uma de suas palavras e compreendi, mente e corpo, o que esta conexão comigo mesma representava: a pontinha da minha idadentidade artística, da minha expressividade divina - e, divina aqui, recorro à Sêneca, filósofo estóico da época do Império Romano, quando este fala sobre nosso Daimon - nossa essência, nossa divindidade interior.
Hoje, em 2022, três anos após essa releitura, a partitura da Cadeira do Ausente ainda se mostra potente em mim, transformando meu Corpo-Palavra em corpo-potente! Porque diz respeito à mim, às minhas ausências, às ausências de cada um de nós depois desse caos pandêmico, às ausências de tudo que nos habita e que se ressignifica durante a Jornada.
Encerro falando sobre "a Obra" porque é a partir dessa jornada que a Mímica Total propõem, que nos apropriamos do legado que os Mestres nos deixaram e construímos pontes com nosso próprio desejo expressivo e criamos! Um corpo inicial que se coloca em silêncio, que se conecta com seu universo interno e então se põe em movimento! Se aquece, treina a gramática de seus Mestres e explora a si mesmo. Então, quando menos se espera... uma palavra irrompe do peito num arabesco no espaço: um ponto fixo, um andar, um dinamorrítmo aqui, um oceno inteiro numa respiração ali.
Um corpo que se torna palavras, que enfileira suas frases no espaço e se torna poesia.
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ESSE ESPAÇO...
... aglomerado de ideias e preenchido pelo caos critativo. Registro de um Mestrado, da criação, do entendimento, da prática. Orienta os desavisados. Educa os familiares distantes. Alivia o peito dos inconformados. Celebra os grandes Mestres - os presentes e os ausentes. Os que se foram e os que ficaram. Os que são. Que inspiram. Que respiram arte.
PREENCHENDO O VAZIO
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